Biodiversidade

A Ilha do Caju – APA (Área de Proteção Ambiental Estadual -1991) e APA Federal desde 1996, localizada no Delta do Rio Parnaíba, município de Araioses-MA, a cerca de 50km da cidade de Parnaíba, onde foi desenvolvido um trabalho piorneiro de ecoturismo, no qual é ressaltado a necessidade de integração do mesmo com a fragilidade da fauna e da flora locais e população nativa. O projeto de ecoturismo da Ilha do Caju nasceu da necessidade de se resguardar esse paraíso para o seu uso racional presente e para as gerações futuras. A única maneira de se preservar e conservar esse patrimônio natural, seria abri-lo ao público por meio de ecoturismo, buscando assim a sua auto-sustentabilidade. O Ecoturismo marcou o início do desenvolvimento sustentável da Ilha do Caju, que vem sendo mantida em seu estado primitivo desde 1847.

As características principais do projeto são a preservação dos ecossistemas da Ilha do Caju, a melhoria da qualidade de vida e a fixação de seus habitantes, a capacitação de recursos para o ecoturismo e o aproveitamento do mesmo como veículo de educação ambiental.

100% APA Federal.
75% APP – Área de Preservação Permanente.
02% RPPN – Reserva Particular do Patrimônio Natural

O que é uma APP – ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE?

Consideram-se de preservação permanente as florestas e demais formas de vegetação natural situadas:

a) ao redor das lagoas, lagos;
b) nas restingas como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; …
E também as destinadas :
a) a atenuar a erosão de terras;
b) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçadas de extinção.

O que são APAs – ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL?

As APAS são unidades de conservação criadas para conservar:

– a vida silvestre;
– os recursos naturais;
– os bancos genéticos; e
– preservar a qualidade de vida dos habitantes locais.
As APAS envolvem áreas com densidade de ocupação, dependendo do zoneamento ambiental; e da participação da população para alcançar seus objetivos. Podem ser de âmbito federal ou estadual.

 

A fauna é variada, nela se inclui tatus, cotias, gatos-maracajás, papagaios, tamanduaís, xexéus, tucanos, jacarés de papos-amarelos, guaxinins, veados, raposas, pica-paus, jacus, macacos de várias espécies, guarás, colhereiros, garças, jacus, marrecas, tartarugas marinhas (tartaruga cabeçuda), botos, peixes-boi (Projeto Peixe-Boi em Cajueiro da Praia – Piauí) e muitos outros. Afinal, todos no Delta sabem, que a Ilha do Caju é o refúgio destes animais, por ela ser a proteção natural de seu habitat. Além de um dos únicos exemplos de coexistência pacífica entre a exploração econômica e a manutenção do patrimônio naturais. Cabe no entanto ressaltar que o sucesso desta comunidade faunística, não se deve somente à proibição da caça, mas principalmente pela conservação dos ecossistemas primitivos. Só de pássaros já catalogaram mais de 100 espécies. Outras espécies não-nativas vem sendo cuidadosamente introduzidas – como os macacos de cheiro, guariba, e mico-touro – que estão se adaptando sem complicações com o ambiente.

Estudos ecológicos

Para quem se interessa pelos detalhes científicos, segue abaixo o relatório extraído de uma pesquisa realizada no Delta do Parnaíba em 1981 pelas Universidades de São Paulo e Universidades Federais do Piauí e Ceará. Sob a coordenação de Valdemar Rodrigues, da Universidade do Piauí, os estudos ecológicos também contaram com a colaboração do botânico Afrânio Gomes, do Ceará, e do zoólogo Luiz Dino Vizzoto, da Universidade Estadual Paulista de São José do Rio Preto.

Dunas

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O movimento das areias e a formação de novos amontoados de quartzo causam sérios problemas no litoral piauiense, como moradias destruídas, estradas e plantações soterradas. Outro grande problema surge com o cultivo de pastagens para a criação de animais. A destruição dos solos é certa e é ilusório julgar que a fixação e a conservação das dunas nessas áreas possa resolver a situação. A vegetação, nesse caso, tem muita importância na conservação dos solos e mais ainda quando se trata de solos de equilíbrio extremamente frágil como os das areias das dunas. Vale lembrar que o uso da terra de acordo com sua aptidão é fundamental para que isso não volte a surgir no futuro.

Foto: Dunas Canto do Areal – Carlos Secchin

Mangues

MANGUES

Na parte sul da Ilha, estão os mangues de água salgada e salobra que recobrem 35% da área da Ilha do Caju. Os passeios no interior dos mangues e igarapés são feitos em canoas e barcos pequenos, com frequente uso de remos para que o barulho de motor não espante a rica fauna da região. O peixe quatro-olhos é o mais encontrado. A principal característica dele são os dois grandes olhos saltados para fora. A metade superior está adaptada para ver fora d’água e a metade inferior para ver dentro. Ainda vivem por lá muitos guarás, socós, martim-pescadores, macacos prego (que se alimentam de caranguejos), guaxinins e cobras . Os baiacus, capazes de inchar até parecerem bolas de futebol, também são moradores do mangue assim como o caranguejo-uçá. Essa espécie é muito procurada pelos pescadores que capturam os caranguejos ainda jovens para o comércio. Outro ponto que deve-se ressaltar é a quantidade de exemplares coletados por área. São várias levas de caranguejos-uçá num mesmo lugar o que acarreta a diminuição em massa e a consequente extinção. Os manguezais também estão ameaçados pelas plantações de arroz, a criação de gado e a retirada de madeira para carvão. Diminuindo-se o ecossistema, acontece a redução da fonte alimentícia dos caranguejos o que leva a evasão ou morte da espécie.

BOX: A captura do caranguejo-uçá no litoral do Maranhão ocorre nos meses de novembro a março. Nesse período acontece a reprodução da espécie e os caranguejos ficam mais vulneráveis. Ou seja, a pesca acontece na fase em que deveria a todo o custo ser evitada. Outros pontos críticos mostram que além de os exemplares jovens serem levados, dificultando mais tarde a reprodução; ainda ocorre a captura em massa numa mesma área. Surge o perigo da extinção principalmente pelo crescimento descontrolado e de caráter predatório.

Praias

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Foto: Palê Zuppani

São depósitos de areias acumuladas pelos agentes de transportes fluviais ou marinhos. As praias representam faixas de grãos de quartzo, apresentando uma largura maior ou menor, em função da maré. Essas faixas de areia se estendem por todo o litoral brasileiro e abrigam diversas espécies vegetais entre elas:

  • Alecrim da Praia: planta muito comum que contribui para a fixação de dunas
  • Salsa-da-Praia: existe sempre em companhia do Alecrim da Praia e tem também um grande poder de fixar dunas, além de ser medicinal;
  • Cipó Chumbo: é um dos parasitos mais frequentes da vegetação arbustiva e arbórea, em toda a região litorânea;
  • Guajeru: fruta nativa que poderia ser melhorada como fruta de mesa. Alcança porte de até 10 metros;
  • Chanana: flor silvestre mais abundante e característica da região. Desabrocha as 6 horas e fecha regularmente por volta das 11 horas, daí ser também conhecida como “onze horas”;
  • Algodão de Seda: os pelos constituem matéria prima para travesseiros e almofadas;
  • Coqueiro-da-Praia, Oiti da praia, Cajueiro e Mangabeira: são espécies predominantes e de alto valor econômico.

As praias e restingas do Nordeste brasileiro também possuem uma fauna muito rica formada por conchas, pequenos crustáceos, pulga da praia, maria farinha, tatuzinho-da-areia, entre outros.

Lista preliminar de representantes de vertebrados da Ilha do Caju:

Classe mammalia:
Gênero Espécie Nome Vulgar
Ordem chiroptera

  • Noctilio leporinus leporinus Morcego pescador
  • Artibeus jamaicensis Morcego de ponta de asa branca médio
  • Artibeus cinereus Morcego de ponta de asa branca pequeno
  • Desmodus rotundus rotundus Morcego hematófago

Ordem primates

  • Cebus apella Macaco prego

macaco-pregoo

Ordem edentata

  • Dasypus novencinctus Tatu-verdadeiro / Tatu-etê /Tatu-galinha
  • Euphractus sexcinctus Tatu-peba

Ordem rodentida

  • Dasyprocta aguti Cotia

Ordem carnivora

  • Dusicyon (cerdocyon)thous azarae Raposa
  • Procyon cancrivorus Guaxinim / Mão-pelada
  • Nasua nasua Coati
  • Felis pardalis Maracajá / Jaguatirica

jaguati

Ordem artiodactyla

  • azama sp. Veado

Classe aves :

Ordem ardeiformes
aves

  • Ajaia ajaja Colhereiro ou Ajajá
  • Theristicus caudatus Curicaca
  • Eudocimus ruber Guará ou Guará-piranga
  • Casmerodius albus Garça branca grande ou Guiratinga
  • Egretta thula Garga branca pequena
  • Bubulcus ibis Garça de pernas camurçadas / Garça boieira
  • Butorides striatus Socozinho
  • Florida caerulea Garça cinzenta / Garça morena
  • Hydranassa tricolor Garça pintada
  • Jabiru mycteria Jaburu grande

Ordem anseriformes

  • Dendrocycna bicolor Marreca caneleira
  • Oxyura dominica Marrequinha

Ordem charadriiformes

  • Jacana spinosa jacana Jaçanã / Piaçosa
  • Vanellus chilensis Téo-téo / Quero-quero
  • Calidris pusilla Batuirinha

Ordem falconiformes

  • Coragyps atratus brasiliensis Urubu comun / Urubu de cabeça-preta
  • Spizaetus ornatus Gavião apacanim
  • Buteo magnirostris nattereri Gavião-pega-pinto
  • Polyborus plancus plancus Caracará / Carcará / Carancho
  • Herpetotheres cachinnans cachinnans Cavã ou Acavá ou Macaguá

Ordem gallifortes

  • Penelope jacucaca Jacu

jacu

Ordem gruiformes

  • Aramides mangle Saracura do mangue/ Saracura da praia
  • Aramides cajanea Saracura três-potes

Ordem columbiformes

  • Columba picazuro marginalis Pomba asa-branca
  • Zenaida auriculata Avoante
  • Columbina picui Rolinha
  • Scardafella squamata squamata Fogo-apagou
  • Leptotila verreauxi approximans Juriti

Ordem cuculiformes

  • Piaya cayana Alma de gato
  • Crotophaga ani Anum preto
  • Guira guira Anum branco

Ordem caprimulgiformes

  • Nyctidromus albicollis Curiango

Ordem coraciiformes

  • Ceryle torquata Martim-pescador-grande

Ordem piciformes

  • Ramphastus tucanus Tucano

Ordem passeriformes

  • Furnarius leucopus João-de-barro
  • Cassicus cela Guache / Japuíra / Japi / Chechéu

Ordem psittaciformes

  • Pionopsitta barra bandi Curica

Classe répteis

Trabalho de Campo – Bióloga Roberta

Ordem chelonia

  • Caretta caretta (marinha) Tartaruga marinha grande
  • Chelonia mydas Tartaruga do mar
  • Eritmochelys imbricata Tartaruga de pente
  • Pseudemys d’ orbignyi Tigre d’ água / Jurará
  • Phrynops geoffroana tuberosa Cágado d’ água

Ordem crocodylia

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Biólogos e Nativos – Trabalho de Campo

  • Caiman crocodilus crocodilus Jacaré

Ordem squamata

  • Epicrates cenchria assisi Salamanta
  • Eunectes murinus Sucuri
  • Boa constrictor Jibóia
  • Waglerophis merremi Boipeva
  • Phylodryas olfersii Cobra verde
  • Crotalus durissus cascavella Cascavel
  • Dromicus poecylogirus Mata boi
  • Hemidactylus mabouia Lagartixa de parede
  • Tropidurus torquatus Taraguira
  • Iguana iguana Camaleão

Classe amphibia:

Ordem anura

  • Bufo paracnemis Cururu
  • Bufo granulosus Cururu pequeno
  • Leptodactylus labyrinthicus Jia / pimenta
  • Leptodactylus macrosternum Rá – galinha
  • Leptodactylus fuscus Rã – assobiadora
  • Pleurodema diploristris
  • Hyla fuscovaria
  • Hyla rubincundula

Lista de representantes de invertebrados:

Ordem decapora

  • Uca mordax Chama-maré
  • Ucides cordatus Caranguejo-uçá
  • Callinectes bocourti
  • Metasesarma rubripes Marinheiro

Classe chilopoda

  • Scolopendra viridicornis Lacraia

Filo mollusca

  • Biomphalaria glabrata
  • Pomacea sp.

Flora

O delta do rio Parnaíba caracteriza-se pelo seu grande número de ilhas e ilhotas, separadas uma das outras por um labirinto de canais de rio. Dentre elas distinguem-se a Ilha Grande de Santa Isabel, no Piauí e a Ilha das Canárias, Ilha do Caju e Ilha Grande do Paulino, no Maranhão.

As Ilhas deltáicas mais distantes do mar, circundadas por águas doces, mostram-se marginadas por Rhizophora mangle (mangue vermelho), vez por outra associado com Montrichardia linifera (aninga), Eichornia crassipes (baroneza ou água- pé). No interior dessas ilhas dividem-se as espécies de Avicennia tomentosa, Drepanocarpus lunatus, Copernicea prunifera Astrocarium tucumoides.

Já as ilhas que se destacam em meio à massa de água salgada, apresentam na face onde se faz sentir a ação das ondas marítimas, uma faixa de dunas, a partir da qual começam a surgir espécies pioneiras: ipomoea pes-capre, ipomoea asarifolia, indigofera microcarpa, cassia tetraphylla e algumas espécies de gramíneas e ciperáceas. O restante do cinturão de contorno e as áreas mais interiores oferecem no geral, as mesmas características vegetacionais descritas em relação às ilhas do delta que povoam a água doce.

A Ilha do Caju, por ser a única preservada, e, portanto, evidenciando-se como a de melhor representatividade em relação aos recursos naturais da flora e da fauna, preservados graças ao zelo, interesse e compreensão de seus proprietários, oferece a possibilidade de observação e estudo dos ecossistemas que ocorrem no delta.

Sob a influência da maré e dos ventos, formam-se, na face voltada para o oceano, dunas, onde surgem as primeiras espécies psamófilas halófilas, seguidas de outras também psamófilas, porém, não tanto halófilas. Por trás das dunas, desenvolve-se progressivamente uma vegetação de maior porte, acentuando-se a presença de uma mata arbustiva subcaducifólia, com alguns exemplares arbóreos esparsos. A parte do contorno destituída de dunas é ocupada por manguezal, que pode ocupar também partes alagadas e margens dos igarapés no interior da ilha. Constata-se ainda a presença de vegetação hidrófila, em pequenos lagos de água doce. A sua vegetação nada difere daquela que é própria do complexo litorâneo nordestino. As espécies características desses tipos de vegetação compreendem:

Nas dunas:

  • ipomoea pes – capre
  • ipomoea asarifolia
  • indigo-fera microcarpa
  • borreria veticilata
  • cassia tetraphylla
  • cassia ramosa
  • cassia flexuosa
  • gramíneas
  • ciperáceas

Nos manguezais:

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Gênero Espécie :: Nome Vulgar

  • Rhizophora mangle Mangue vermelho
  • Avicennia tomentosa
  • Avicennia litida Mangue siriba
  • Laguncularia racemosa Mangue manso
  • Conocarpus ereta Mangue / Canafistula de boi

Na mata:

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Gênero Espécie

  • Mouriri guianensis Puçá
  • Anacardim microcarpum Cajuí
  • Dioclea grandiflora Mucunã
  • Caesalpinia bracteosa Catingueira
  • Pithecellobium multiflorum Muquém / Canafístula de boi
  • Cassia ramosa
  • Cassia rotundifolia
  • Cassia tetraphylla
  • Phaseolus peduncularis
  • Manilkara triflora Massaranduba
  • Zornia marajoara
  • Hymenaea stilbocarpa Jatobá – miúdo
  • Hymenaea stigonocarpa Jatobá de casca fina
  • Hymenaea courbaril Jatobá
  • Abrus precatorius Jiquiriti
  • Copaifera langsdorffii Pau d’ óleo
  • Peltogyne confertiflora Pau roxo
  • Pithecollobium foliosun Jurema – branca
  • Basanacentha spinosa
  • Cereus jamacaru Mandacaru
  • Bursera leptophloeos Imburana – de – espinho
  • Psidium araça Araça
  • Cassia trichopoda
  • Tephrosia cinerea
  • Tabebuia serratifolia Pau d’ arco amarelo / Pau d’arco roxo
  • Lonchocarpus sericeus

*Encontrando-se também espécies não de imediato determinadas, pertencentes aos gêneros : entada, celtis, ouratea, cedrella, byrsonima, centrosema, ruellia, zornia, croton, polygala, connarus, guettarda, tocoyena, diodia, coccoloba, cyperus, myrtia, eugenia e maytenus.

Nas lagoas:

  • neptunia oleracea
  • neptunia plena
  • aeschynomene evenia
  • aeschynomene marginata
  • aeschynomene rudis
  • sesbania exasperta
  • salvinia curiculata
  • eichornia crassipes
  • lemna minor

e outras espécies dos gêneros : nymphea, alisma, hidrocleis e drosera.